domingo, 8 de janeiro de 2012

Entrevista com Azriel - The Funeral Of Tears

01) Quem é o Azriel? 
Azriel: Sou natural de Fortaleza, mas moro atualmente em um município vizinho chamado Caucaia. Em algumas semanas farei 28 anos. Dentre outras atividades no underground sou fanzineiro a quase 10 anos, editor do zine The Funeral of Tears uma publicação alternativa com foco na cultura dark/gótica e alternativa. Anteriormente ao The Funeral, eu já havia editado outro zine chamado Black Moonlight. Colaboro em algumas revistas e zines nacionais. Recentemente criei a Zineteca Resistência, da qual funciona virtualmente com uma pagina no Orkut e uma no Facebook. Além das atividades com zines, me dedico também em um selo virtual chamado Schatten Projekt lançando CDs coletâneas e bandas nacionais e de fora, etc...


02) Como conheceu o underground?
A: Assim como boa parte das pessoas do meio, eu fui atraído pela música, em especial por gêneros como gothic rock e post punk, então a partir daí me envolvi em produções musicais e principalmente de fanzines, que seria minha maior paixão.


03) Então o rock é mesmo importante na formação de nossas idéias e atitudes? 
A: Classifico o rock e tudo nele envolvido como uma ótima arma de difusão de nossas idéias das quais podemos escolher propagar cultura, postura política, protestos, poesia, crenças, ou qualquer outro tema. Mas infelizmente na prática nem sempre isso acontece e tal ferramenta tem sido usada apenas por motivos financeiros, propagação de idéias preconceituosas e sem valor nenhum. Mas enfim, toda pessoa é livre, só acredito que o direito de um termina quando começo o do outro.


04) E os fanzines?
A: Eu sempre estive no meio alternativo, isso me propiciou ter contato com essa arte chamada “fanzine”, desde então me dedico a editar, colecionar e divulgar tais publicações.


05) Qual a diferença entre ser um leitor e um editor de fanzines? 
A: Eu não consigo imaginar uma pessoa apenas como leitor, pois é comum quando se adquire um zine pensar “vou fazer um”.


06) Como foi a primeira experiência de criar e distribuir um zine?
A: Difícil e ao mesmo tempo prazerosa, pois quem edita zines sabe da dificuldade de mante-los mas a satisfação quando o zine fica pronto cobre toda dificuldade. Em minha cidade não existe uma cena de fanzineiros, algo que torna a distribuição ainda mais complicada, pois tem sempre que se restringir nas trocas via carta. Editar e trabalhar com zines é sempre prazeroso mesmo com as dificuldades do dia-a-dia.


07) Quais os fanzines mais importantes que já caíram na sua mão?
A: Dentre tantos outros, eu destacaria o Spell Work Zine da minha amiga Thina Curtis, pois adoro zines criativos e com bastante informações e o Spell Work é assim. Há alguns dias recebi o Closer também editado pela Thina e achei formidável a idéia desse trabalho que envolveu vários e bons artistas para ilustrar suas poesias. Tem outros zines que infelizmente não estão mais ativos e eu considero ainda muito importantes como o Enter The Shadows, The Love Cure´s, e o Yesterday, Today, Tomorrow.


08) Editas outros zines além do Funeral?
A: Atualmente me dedico apenas ao The Funeral of Tears Zine, mas tenho planos de editar mais dois até o final do ano.


09) Que outras influências você mantém por aí ?
A: Adoro cinema, musica e literatura, isso influencia diretamente nas minhas edições de zines. No cinema, eu destaco Tim Burton, alguns de seus filmes já viraram matéria no The Funeral of Tears. Na musica, são tantos então eu diria que boa parte das bandas de gothic rock da década de 80 e 90, na literatura aprecio muito Edgar Allan Poe, Florbela Espanca, Augusto dos Anjos e Charles Baudelaire que acabam sendo ótimas influencias para meus trabalhos.


10) Expectativas para a cena em 2012?
A: Minha expectativa é ver uma verdadeira estruturação da cena alternativa na música e na produção e edição de zines e outras publicações alternativas.

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